terça-feira, 28 de agosto de 2012

Diário de Inverno



Quando se formam as tempestades, minha alma inerte procura os sentimentos perdidos.
Sobre a superfície de um pacifico lago, vejo refletir sua sombra e sua voz soa unida ao vento que vem do mar atrás das montanhas dos pássaros solitários.
Alguém ainda espera por mim, em um lugar, que não posso retornar.
Nas tardes de inverno, meus olhos fixaram-se nos voos dos pássaros itinerantes.
E nesse momento desejei poder voar ao limpo livro do passado onde poderia reescrever minha partida, redesenhar seu triste olhar, perdido no riso apagado pelo amor partido.
Espero que a chuva caia rapidamente, somente para que possa retornar para os campos amarelados pelo outono onde a tinha em meus braços.
Enquanto isso as densas nuvens apenas formam-se, e em minha memoria procuro pelos sentimentos registrados no diário.   
A brisa tênue trás sua voz pronunciando o meu nome, então consigo ver quão grande ainda é a luz em seu coração.
Dentre o bradar dos trovões em clamor a tempestade que ofusca o pôr-do-sol pode-se ouvir os pássaros retornarem, apenas os pássaros, trazendo o seu perfume e sua mensagem.
Finalmente cai à chuva. É o momento de retornar para os campos.
Então o diário se fecha deixando pairar no ar a profecia das vozes inexistentes que nas tardes de inverno narram suas inimagináveis histórias de amor.          

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Eternamente



Há séculos meus pés tocam sobre o caminho coberto pelas velhas folhas que se desprendem vagarosas da minh'alma vulnerável ao arbítrio do calmo e frio destino que nos marca sob o elo infinito.
Os pássaros que adejam sob o céu tempestivo cantam resignação, enquanto caminho sobre a estrada preste a bifurcar.
Sinto a espera por um sinal, mas há apenas o silencio dissolvendo-se, enquanto seu semblante retorna a minha memória.
Em algum lugar sua respiração dissemina o perfume que o vento trás até mim.
Em algum lugar  caminho rumo ao jardim onde o sol enfrenta as densas nuvens que jazem na beira do abismo.
Por um instante poderia cometer um erro.
Então partiria para sempre.
E minha promessa estaria perdida.
Tormenta. Recai a noite almejada pelo uivo dos lobos sem destino.
Terei que caminhar eternamente até  encontrar-te em algum lugar.
Na  sua ausência meu coração me guiará até o jardim onde o sol enfrenta as densas nuvens que jazem na beira do abismo.
Nos momentos de escuridão a esperança será a luz.
Caminharei eternamente até encontrar-te em algum lugar.
As lágrimas que irrompem e riscam  a face encontram seu fim nos lábios curvos pelo sorriso.
Se o erro bifurcou nossa estrada, e trouxe a tempestade que desprendem vagarosamente as folhas da minha alma.
Continuarei a procurar além do meu destino final o ponto de equilíbrio do nosso amor até que você renasça em algum lugar.   
    
 
     

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Oceano de Lágrimas



Há uma grande ilha de pedra  repousando sobre o oceano castigado pela tempestade das minhas emoções.
As ondas colossais arrancam da ilha grandes  pedaços. Sinto-os sendo arrastados pela corrente forte.
Posso senti-los, pois repouso sobre a ilha de pedra no meio do oceano, porque os pedaços são do meu coração.
A cada pancada sobre o meu peito, sinto o frio e a cada arrepio deixo que mais uma lágrima caia.
E cada lágrima, após cada arrepio, criou o oceano onde se escondem os pedaços  afogados do meu coração.
Uma porta se abre, nela não existe luz, há relâmpagos e trovões.
Atravesso a porta secreta,  ouço o silencio, e vejo o mar cada vez mais longe.  
Finalmente desperto em meu quarto, ainda sinto os pedaços afundando. 
Minhas lagrimas são claras e incompreendidas.
Sobre meu rosto sombreado ainda riscam minha face.
Debruço sobre o papel, olho os relâmpagos clareando a noite.
O sol simplesmente estava longe, tão longe, quando decidi não chorar lagrimas, quando decidi chorar as poesias perdidas no oceano da minha alma.  

    
    
     

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